Eu sei que não é uma pergunta mas eu sempre me perguntava pra quê, por quê? E tão simplesmente com o cagar enxerguei a vida, viver não é uma função, uma missão, é simplesmente ser. O ser humano parece não admitir que é apenas mais uma espécie que come, sente, ama, caga, se reproduz e vira um cadáver podre e fétido que virará mato, poderá ser comido e tudo mais. Será um medo de antropofagia ou precisamos sustentar nossa pretensão de sermos especiais. Vão viver, é tão simples. A invenção daninha é sobre, subviver... Nos domesticamos e passamos por processo de adaptação, quanta inteligência, não.
Mas é claro que fica tudo mais poético se eu não aceitar ser simplesmente uma mulher domesticada, com seios tapados e fitas de isolação por todo corpo dizendo não olhe, não mostre, não toque, isto é pecado, eu não sou um objeto de desejo e realmente desejo ser natural, mesmo gostando de ouvir Beastie Boys depois de chegar do acampamento, eu juro que isso não me faz falta. O que faz falta é o conhecimento, é preciso relembrar como viver naturalmente em harmonia com o ambiente da terra e não do cinza. Onde está a vida? Até parece mesmo um jogo, os prêmios vem em pequenas prestações mentirosas de finais de semana, balcão de bar, e a esperança de uma aposentadoria na praia.
Onde é que está, na rocha, no fogo. No calor da geladeira, sentada no sofá, sufocada e estuprada pela inércia que me espera apertar o gatilho para o próximo canal.
Por isso amo, brinco, canso, danço, ando de bicicleta, falo merda e dou risada, choro, e o largo sorriso vem de novo... é hora de pegar na enxada e plantar... Dê oportunidade para a vida chega de oportunismo.
juliana mangaba